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NÃO COMETER INDELICADEZAS não cometer nada, ficar parada, olhando, chorando, torcendo, implorando por um único gesto de destempero, por uma única rodada de baiana que seja. Prefiro carregar pedras sob o sol. Prefiro gritar na rua, ser presa e descobrir que não há fiança. Prefiro uma aula de química, onde eu não entendo nada e o professor ri da minha cara. Prefiro entrar no ônibus errado, perguntar para o motorista se esse ônibus passa na Rua Votuporanga e me contentar com a resposta negativa dele. E não sair do ônibus e não cometer nada e não esperar mais nada além de um ônibus errado.
Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 07:40:30
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EU TENHO VERGONHA DE ESTAR EM SÃO PAULO Após 'Dia do Orgulho Hétero', vereador de SP quer banheiro gay Projeto foi apresentado ontem na Câmara paulistana por Carlos Apolinário (DEM) EVANDRO SPINELLI DE SÃO PAULO NATÁLIA CANCIAN COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
No ano passado, o vereador Carlos Apolinário (DEM) quase conseguiu que virasse lei o seu projeto de criar em São Paulo o Dia do Orgulho Heterossexual. Agora, ele teve outra ideia: criar um banheiro "unissex" em locais públicos para gays, lésbicas, travestis e quem mais quiser. O terceiro banheiro passaria a ser uma exigência da prefeitura para autorizar a construção ou reforma de shoppings, supermercados, restaurantes, cinemas e casas noturnas em geral. A ideia, diz o vereador, surgiu ao saber da polêmica na qual o cartunista Laerte Coutinho, 60, que é bissexual e se veste de mulher há três anos, envolveu-se ao tentar usar o banheiro feminino de uma pizzaria e lanchonete. Para o vereador, esse uso é inaceitável. "Se qualquer cidadão do sexo masculino disser que está se sentindo mulher naquele dia, pode entrar no banheiro feminino. Às vezes, pode ser até um cidadão sem vergonha, mau caráter, que nem tem essa opção sexual." Com o terceiro banheiro, afirma, tudo se resolve, porque vai quem quer -menos crianças desacompanhadas. "Tem cruzeiro que é feito para gays. Se eu for lá com a minha mulher, eu não posso reclamar, porque eu sabia que era para gays", afirmou. Informado pela Folha sobre o caso, Laerte fez críticas ao projeto e disse que um terceiro banheiro seria uma "consagração do gueto". Para o cartunista, a proposta teria a função de segregar as pessoas. "É uma solução que não é uma solução, porque discrimina de uma vez por todas. Como se os outros fossem normais e uma outra parte não." O projeto de Apolinário ainda precisa tramitar pelas comissões da Câmara antes de ir a votação em plenário.
Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 12:52:33
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TENHO DUAS DÚZIAS DE ESPERANÇA na bolsa, que vou usando conforme a necessidade.
Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 22:22:02
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EU MUDAVA DE CASA quando tudo aconteceu. Eu senti o gosto do uísque tocar minha língua e meio segundo foi suficiente para que eu me lembrasse de tudo. O mundo girava, indiferente, quando eu caí e você passou, fazendo coro com o mundo. Até a lua, que vive cheia de pedidos, resolveu ter dó de mim e se cobriu com a primeira nuvem que passou. Não, ela não iria testemunhar a meu favor, mas também não queria depor contra. Ficou ali, encoberta. E eu faria o mesmo se fosse ela. Mas eu não era e as nuvens cagavam e andavam para mim. O que não me importava. Eu só tinha olhos para o trabalho voluntário: eu roubava milhos jogados aos pombos. Numa tentativa de acabar com os pombos, acabar comigo e acabar com aquela história. De uma vez por todas.
Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 22:12:40
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