Sem Gelo - Um blog puro - por Fernanda D´Umbra
   
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BELA FESTA

a do Cemitério de Automóveis.

Parabéns às meninas!

foto de Marina Franco



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 09:21:54
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É HOJE



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 15:04:09
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trafegava com uma viatura da polícia a minha frente e um carro da CET atrás > sabes bem: não tenho carteira > não achei ruim, porque, de certa forma, estar cercada pela lei poderia me manter longe de acidentes > pararam violentamente, tiraram-me do carro à força - estavam armados - pagaram cervejas, deram-me conselhos > sim, amor, falaram de ti. 



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 14:29:47
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HOJE




Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 11:23:49
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os comboios estimavam um atraso de quatro horas

quatros horas a mais de cortinas balançando

a uma certa hora - já era de manhã - levantei

olhei para trás antes de sair do quarto e pensei

que se você acordasse logo, teríamos tempo



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 17:04:06
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HOJE



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 12:25:33
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Caros amigos, foi lançada pela EDITORA CONRAD a antologia MEUS PROBLEMAS COM AS MULHERES, de Mr. ROBERT CRUMB.

Tive o imenso prazer de ser convidada a escrever o prefácio. 

Que ficou assim:

 

AND THAT´S THE WAY IT IS

 

Eu queria morrer, mas não queria estar ali naquele bailinho, esquentando a cadeira, limpando os óculos que corrigiam uma miopia de seis graus, com os cabelos curtos e cacheados, porque a desgraça tem que ser completa. Era ainda estudiosa e tinha que passar pela humilhação de ver os garotos se aproximarem de mim apenas para pedir que colocasse o nome deles no trabalho de grupo (que via de regra eu fazia sozinha). Assim como Robert Crumb, pensava que um dia seria uma grande artista e todos ali se arrependeriam por ter me rejeitado. Mr. Crumb deu-se bem melhor do que eu nesse quesito, mas não me queixo, minha vida melhorou com o tempo. Tive, como ele, uma rígida educação católica que só alimentou ainda mais a fábrica de pensamentos obcenos que me faziam companhia nas longas tardes que se arrastavam depois de fazer a lição de casa, que sempre era muito fácil, por mais difícil que parecesse. Aquilo acabava e aí? “No que vou pensar? Ah, vou pensar em sexo.” Mas não podia! A Irmã Helena falou, e falou muito bem falado, que toda vez que pensássemos nisso, devíamos nos ajoelhar e rezar. Eu achava mais pertinente fechar a porta do quarto, o que não impediu o meu tio Aquino de me pegar aos beijos com um boneco de pano aos onze anos de idade. Em minha imaginação, o boneco era meu namorado; a coisa toda era bem complicada. Aos quatorze anos, eu e minha turma do colégio de freiras fomos praticamente obrigadas a frequentar o Curso de Preparação Para o Amor, que nos deixou reclusas durante três dias, sendo que no último dia (jamais me esquecerei disto) foram exibidos slides com ilustrações detalhadas de vaginas e pênis e eu, que cresci em uma família formada por pai, mãe e irmã, jamais tinha visto um pênis por tanto tempo e tão de perto (mesmo desenhado). Voltei para casa e as tardes ficaram ainda mais longas e as lições mais fáceis. Então sobrava tempo para pensar em sexo, coisa que parecia absolutamente improvável de acontecer comigo, o que me levava a ter fantasias cada vez mais absurdas. Eu pensava: “Já que não vai acontecer mesmo, vou pensar em algo bem cabuloso”. Difícil era levar a vida sendo uma mera espectadora da festa alheia. As meninas obviamente gostosas estavam anos a minha frente quando o assunto era ser desejada ou mesmo notada. Muitas hoje são imensas matronas preocupadas com a micose do cachorro enquanto eu ganho a vida, por exemplo, escrevendo prefácios para Robert Crumb. Volto a dizer: minha vida melhorou muito com o tempo. Outra coisa que me valeu e que também valeu a Mr. Crumb foi a curiosidade que só um bom perdedor tem. Com o tempo livre, pois ninguém me chamava para sair, lia tudo que me caia nas mãos, de rótulos de biscoitos a livros de arte, coisas em francês e espanhol, não importava se ia entender ou não, o que contava era o tempo que meus quatro olhos gastariam diante daquilo. E as tardes longas e quentes continuavam esperando que algo acontecesse. E então aconteceu. Aos quinze anos, já sem os óculos, usando lentes de contato e cabelos longos, me descobri com uma bela bunda e pernas muito bem torneadas, herdadas de minha mãe, que tem belas pernas até hoje aos setenta anos de idade. Opa! A coisa toda começava a melhorar para o meu lado e já não era sem tempo. Era a hora de encurtar as saias e as tardes quentes, que começaram a passar bem rápido dentro de carros, casas vazias, repúblicas de estudantes, enfim, a vida tinha ficado mais legal.

Meus Problemas com as Mulheres” conta a história de um carinha chamado Robert Crumb que também passou um bom tempo na plateia, assistindo seus amigos levarem a vida com mais sorte do que ele. Mas logo de cara ele avisa que não vai choramingar. Em “Eu agradeço! Eu agradeço!” ele reconhece que sua vida é bem melhor do que ele podia esperar quando criança e por isso ele é grato. É grato entre outras coisas por saber desenhar. E por isso somos todos gratos. Oh, meu bom Deus! Isso sim! E desenhar o ajudou a ganhar as mulheres e os problemas que vieram com elas. Quando se pensa nas “mulheres de Crumb” a imagem demora um quarto de segundo para se formar em nossa cabeça. As bundas empinadas, as pernas fortes, as mãos e os pés grandes, os peitos firmes apontados para a frente: eu. Eu sou assim, e incluam aí toda a sorte de pensamentos lascivos e dementes que quiserem. Porque nem o mais incauto dos homens pode acreditar que as mulheres não têm fantasias sexuais absolutamente insanas. E essa história de o acusarem de ser machista, de ofender as mulheres, ou sei lá o que, isso eu não vou nem discutir. Sim, eu sei, Robert Crumb estava lá quando o feminismo ficou de pé e as mulheres conquistaram uma série de coisas a que tinham direito, inclusive o de gritar contra a violência sexual que sofriam em muitos casos, mas aqui o assunto é outro. Desejo sexual compartilhado não tem que ser julgado por um movimento que não seja o da pélvis. Eu quero, você quer, então ninguém tem nada a ver com isso - e depois a gente pode até fazer um desenho. E algumas mulheres que aqui estão ilustradas descobriram que entre seus direitos estava o de ocupar suas tardes quentes com um cara esquisito, meio nerd, completamente tarado, que depois de tudo ainda devia botar um belo som pra rolar sacando um dos discos de sua imensa coleção de bluegrass e ragtime. Enfim, um bom cara para se arrumar problemas. Em um dos melhores desenhos deste livro, vemos Robert Crumb fazendo sexo com uma mulher numa posição incrivelmente acrobática, uma belíssima imagem de submissão e jugo. E segundo ele: “Foi ideia dela!” Não duvido.

Fernanda D´Umbra

 

 



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 13:14:34
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Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 13:31:14
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sentia apenas a dor de estômago, forte, aguda, como todo o resto, que agora ganhava esse nome terrível, sobrenome do inferno mais pesado, como era possível? eu devia tomar remédios, se há uma hora de se entupir de remédios, é agora, mas não, nem os tenho, nunca tive, nunca achei que fosse precisar, tinha a escrita, tinha a música, tinha uma cidade inteira para cruzar a pé e uma centena de dúvidas ortográficas a me distrair: tudo em vão, tudo conversa fiada, não há, simplesmente não há, é tudo ao contrário agora; não consegui: apagar a luz do quarto, dormir, sonhar, sequer ter pesadelos; consegui essa dor no estômago e uma alma prostrada com a qual passei a limpar o chão do quarto; difícil, na verdade as pernas me deixaram, todo meu corpo me nega e durante muito tempo os textos serão ruins; mas que me importa? ah, textos, literatura, música, tudo isso não serve para nada e quem disser que sim, que venha até aqui ver o que o vento fez com a casa, com as roupas e com meus cabelos, que agora já não se atrapalham mais, estão parados, olhando meus ombros e chorando sobre eles, meus cabelos, ah, meu amor, meus cabelos decidiram não ceder e eu no lugar deles também faria isso: pediria explicações, mesmo sabendo que não há, que nada justifica não estarmos agora a lamber as feridas um do outro. eu estava preparada para o melhor, sempre estive, mas para isso? para isso não, para isso eu tinha uma dublê que faltou ao trabalho ontem e me fez pular do carro por minha conta, me fez atravessar a porta de vidro e me fez sentir medo de revisar o texto antes de publicar, não quero reler, ler, saber de nada: é isso: não quero mais saber de nada. quero fechar os olhos e não ver que do outro lado da vida, uma vida inteira esperava de pé, debaixo de chuva, sem capa ou botas, praticamente nua, uma vida inteira disse que não vai sair dali, que esse negócio de ponderar foi realmente o truque mais sujo que eu já usei, não acredito em nada que não seja você entrando por aquela porta e dizendo: como a gente vai fazer? como vai ser isso? ao que eu responderia: não faremos nada, querido, tudo está feito e eu tenho um lindo vestido que você precisa ver no chão, você precisa deixa-lo cair a teus pés; ficarei em pé, esperando até que você volte e me diga como está o tempo lá fora; as coisas precisam fazer algum sentido ao menos uma vez na vida; poxa, uma vez nem é tanto assim. 



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 06:38:15
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Sem forças para almoçar, deitei novamente, mas tenho muita fome, então andei pela casa limpa, organizada, feliz (a casa feliz, revisores, é a casa que está feliz, pode ser assim?) por ter ficado sozinha por quase uma semana. Estou certa em pensar que quando meti a chave na porta, as roupas dentro do guarda-roupas, os pratos dentro do armário de pratos e até os frascos de material de limpeza embaixo da pia lamentaram em coro: "Oh, não! Aquela maluca que pensa que é dona da casa voltou." Voltei, queridos objetos. Quem mais poderia ser?



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 12:18:55
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"Tem muita polícia aqui", disse o Reinaldo Moraes (sensacional na mesa das 15h de ontem) > nem tem tanta polícia assim, é que o Reinaldão é meio encanado com os tiras > tá leve, na verdade > há festas em toda parte e eu durmo bem na Pousada dos Contos> o melhor é o café da manhã, cheio de coisas boas pra comer > os preços por aqui são astronômicos > talvez eu pague R$80,00 para usar a Internet, sei lá > Lionel Shriver é uma mulher incrível de se ver > há tempos estou para ler o seu livro "Precisamos falar sobre o Kevin" e me arrependi muito de não ter feito isso antes de vê-la aqui em Paraty > hoje abriu um sol indecente e eu não voltei a dormir depois do café > parei nessa lan-house depois de caminhar muito > não falarei das ruas de pedras, mas dos quadrinhos importados que não comprei > das lindas histórias em quadrinhos que queria levar comigo e não levarei.



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 10:49:00
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morrerei de saudade e voltarei na forma de um avião de gelo > então vou te sequestrar > coisa que já devia ter feito há muito tempo > no dia de São Jorge, por exemplo. 



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 08:29:37
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