Sem Gelo - Um blog puro - por Fernanda D´Umbra
   
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Só no teu oposto, só nele é que me lembrei de tudo. O escuro dos teus olhos apertados e o mar à noite, o mar que eu não sabia que existia. Tão veloz, tão seguro, tão imprevisto quanto um carro à venda. Vendo meus olhos e 2010 me leva. Até você. Até já.  



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 10:26:54
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ALLAN SIEBER

DICAS PARA UM 2010 MELHOR:

 - Distribuir armas e munição na saída dos estádios;

 - Permitir o aborto até os 21 anos do feto;

 - Imposto para quem avisa via twitter/facebook/facefuck que vai almoçar, jantar ou tomar um chopp na esquina;

 - Castração obrigatória de quem é eleito;

 - Criar bares com entrada exclusiva para fumantes;

 - Azulejar as praias;

 - Prisão sem direito a fiança para quem falar "Noooossa, você NÃO provou o iogurte com sorvete???" e "Caaaara, você TEM que provar o cone de salmão!!!";

 - Execução sumária do cidadão/cidadã que começar a tocar violão em festas;

 - Extradição imediata de todas integrantes do brazilian lesbo folk;

 - Impostos brutais para novos poetas.

Allan Sieber



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 12:06:50
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ERAM NECESSÁRIAS DUAS DESSAS REPRESAS

Que vejo daqui da sacada do prédio em São José do Rio Preto. Onde me vi sozinha pela primeira vez, subindo a Avenida da Saudade e entrando à esquerda na Rua Santos Dumont. No dia em que você pediu meu endereço errei e dei o endereço da casa onde nasci, talvez quisesse que me buscasse tantos anos antes. Mas me deslumbrava andar a pé, tanto quanto aprender a usar crase e salto alto. Meu sonho de ser adulta e pródiga, tinha acabado numa lan house quente e o ventilador desmanchava meus cachos, perfeitamente enrolados para ninguém. Eu que me acostumei a explicar elogios e gentilezas, eu que sempre estive pronta a estragar tudo mil vezes, agora dava desculpas esfarrapadas ao telefone todos os dias, tentando explicar que não seria possível, que não havia mais sentido em honrar os compromissos. Na coluna social me recusei a sorrir. Não vim para isso, vim para servir e as duas coisas podem ser concomitantes, mas por acaso não eram naqueles dias. Na missa do dia 25 chorei, finalmente. Precisava disso, tinha aqui dentro uma represa com capivaras e bicicletas. As coisas voltariam aos seus lugares, eu buscaria um desses lugares e transformada em coisa, poderia enfim descansar. Escolheria o escorredor de pratos.



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 17:56:37
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FUI ATÉ A GELADEIRA

Mas o refrigerante também gelava no balde. Enchi dois copos de Fanta laranja e me meti perto da churrasqueira, meus pés doíam. Odeio escrever isso, acho o maior dos clichês "meus pés doíam", mas é verdade: meus pés doíam, só que pra caralho mesmo, então já nem era mais clichê, era verdade e eu tive que ir embora; de tanto que meus pés doíam.



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 00:47:16
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NÃO CABE NO FACEBOOK

tenho saudade de LISBOA, a cidade criticada pelos cariocas que preferem qualquer outro lugar da europa, como uma menina adolescente que tem bronca da mãe > tenho saudade do jeito que falam e que recebem > e do jeito carioca deles de andar com muito mais calma, de se vestir mais ou menos todo mundo igual, de ter uma espécie de acordo que os paulistas misturados, enxertos socias, não têm > aqui todo mundo tem muita personalidade > isso atrapalha a todos, mas é necessário > senão se morre aqui > mesmo.



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 09:24:18
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EU DESCARREGAVA A METRALHADORA

No momento em que dez testemunhas imaginárias me ajudavam a parar o que estava fazendo para olhar pela janela tuas malas se despedindo na portaria. Eu tinha muito, tudo muito, tudo muito chato e pronto e combinado direitinho comigo: como seria a noite, o café da manhã, a cor das toalhas, algo sem fim. Uma coisa pra lá de desnecessária, sobretudo àquela hora em que a vida, chegando atrasada, com os cabelos molhados, as calças encharcadas e um sorriso que não cabe nesse apartamento, batia à porta com toda a força e dizia: Então, como vai ser?



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 15:13:21
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LOGIN

Botei os peixes pra nadar e me tranquei no aquário da Rua Santos Dumont, onde me afogo com o aparelho de oxigenar a água. Dona Irene batendo na janela de madrugada e pedindo cigarro, fumando depois da coleção de pontes de safena, mas o que fazer se esse gin é tão bom?  Andava eu pelo sol das dezesseis e um café me chamou para dentro. A moça não acreditou quando eu disse que tinha uma carteira igual a dela. E era mentira mesmo.



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 16:57:58
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DAQUI A POUCO



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 15:54:36
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ANDRÉ DAHMER



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 22:18:23
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SMIRNOFF ICE

A gente tava bebendo aquilo porque tinha acabado a Vodka, eu me lembro. Mas se não for isso, vamos dizer que foi isso mesmo, que tinha acabado a Vodka e que como a gente tava bebendo Vodka, seguimos tomando aquilo que no momento era o que mais se parecia com Vodka. Foi numa das vezes em que você foi me passar a garrafa, aliás, que papo foi aquele de vamos beber juntos, depois a gente pega outra, aquilo foi bandeira, mas eu podia estar viajando, se bem que àquela altura eu não tava viajando nem fudendo, era exatamente aquilo: você tava a fim de mim. Irremediavelmente, naquele quintalzinho daquele boteco, tomando aquele treco horroroso, você tava a fim de mim. E eu a fim de você. Coincidência.



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 22:13:55
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OLÁ A TODOS

Bem, é assim: tirando os textos em que eu digo "caros amigos" e os textos de avisos, o resto é meio sem pé nem cabeça mesmo, tipo invenção. Beleza, boa noite.



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 03:28:07
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QUINTA-FEIRA NO RIO DE JANEIRO



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 00:59:20
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HOJE EM SÃO PAULO



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 17:04:37
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CAROS LEITORES

Preciso explicar quem, para mim, é o cara que está na Santa Casa. O Mário que está na Santa Casa, para mim, não é o Rei da Ralé, eu não giro em torno do Rei da Ralé, eu sequer conheço esse Mário que inventaram enquanto eu estava em Rio Preto cuidando da minha mãe. O Mário que está na Santa Casa é meu amigo há 20 anos, é o menino tímido que eu conheci e que ficava quieto na mesa do bar escrevendo poemas. É um grande amor que sempre será meu amigo e que sabe (porque me conhece como poucos) que tenho verdadeira repulsa a qualquer espécie de idolatria, da branda à histérica. Portanto apenas deixo aqui meu sentimento de amor e profundo carinho, minha irrestrita solidariedade a sua recuperação e meu desejo imenso de que ele se recupere logo. O cara magrinho, de cabelo preto e espinhas na cara que eu conheci em 1989. E que vai sarar, isso é certo.



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 15:06:55
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obrigada a todos

impossível responder a todas as mensagens de apoio que chegam > via blog, e-mail, facebook e celular

todas são lidas e bem-vindas

estou em rio preto, mas na quinta retorno a sp.

faremos um show no aurora na quinta à noite

mário vai precisar de uma grana quando sair do hospital

o show é para dar essa força (saco de ratos com paulão das velhas no vocal, tinha que ser ele, né? > fábrica de animais e quem mais chegar)

la carne convidado, tio américo, banda desbunde, todos que puderem

minha vida não é um cartão de visitas, eu sei.

mas eu não tenho do que reclamar, não posso parar pra fazer isso.

ps: estarei realmente bonita para esse show > cabelo bem penteado, vestido curto e minhas melhores botas.

e hoje é aniversário da minha avó, Maria Pereira D´Umbra, que em vida nos ensinou; "tá triste? então fica bonita."



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 13:14:52
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batem as portas

teu coração já bate sozinho

touro quer levantar

forcado nenhum pode contigo



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 13:36:22
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XKCD



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 12:34:09
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