Sem Gelo - Um blog puro - por Fernanda D´Umbra
   
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MINHA MÃE

pegou todos os seus cordões umbilicais e fez bordados com eles.

desenhou ali no brim uma vida inteira de ternura e silêncio.

meu pai ria no sofá, enquanto anjos de crochê nasciam pelas mãos da minha mãe.

eu, sentada no chão com as bonecas, pedia mingau.

ela se levantava, deixava o crochê sobre o sofá e cantava enquanto ia para a cozinha:

"eu pensei que todo mundo fosse filho de papai noel"

em me lembro bem dessa cena:

das costas da minha mãe e dos pés do meu pai. 



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 09:58:31
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DOSSIÊ FERNANDA D´UMBRA

quero pintar tua casa, rir contigo, te abraçar várias vezes durante o trabalho e rir da tua falta de prática com a felicidade > sim, meu amor, agora tudo caminha de um jeito especial e nosso amor, que contrariando dossiês é forte e lindo, vai se sentir bem na varanda, no final da tarde, lembrando do período terrível que antecedeu a chegada da pizza que comeremos no chão, rindo de nós, da nossa alegria e da paz, que enfim fará parte do final de semana > parabéns por tua elegância, tua altivez e tua calma em lidar com todos os dragões que São Jorge deixou para nós > e não se engane, ele fez isso por amor, para que nos sentíssemos capazes de cuidar de nossas vidas > e fizemos isso > faremos mais, é verdade, mas chegar até aqui juntos depois do esforço hercúleo que foi feito para nos separar, já é coisa do outro mundo > teu sorriso não perdeu por esperar > e eu vou ouvindo música no trem e pensando nele, só nele: o teu sorriso.



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 13:52:50
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acabei de ouvir

o disco (lembram-se?)

da Fábrica de Animais.


modéstia à merda:

caralho!



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 01:40:53
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POEMA ESCRITO TRÊS VEZES

 

tudo corria:

táxis, pernas, cabeças e artérias

tudo, até o que não tinha nome

você, você corria

e não olhava pra trás

pra onde eu esperava

sem pressa

nenhuma.



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 03:02:58
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VINGANÇAS MEDÍOCRES

eram duas da manhã quando você chegou negociando > botou a mão no meu rosto tentando derreter minha bronca > eu disse que tinha pão.

:) 

 



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 10:12:58
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NÃO COMETER INDELICADEZAS

não cometer nada, ficar parada, olhando, chorando, torcendo, implorando por um único gesto de destempero, por uma única rodada de baiana que seja. Prefiro carregar pedras sob o sol. Prefiro gritar na rua, ser presa e descobrir que não há fiança. Prefiro uma aula de química, onde eu não entendo nada e o professor ri da minha cara. Prefiro entrar no ônibus errado, perguntar para o motorista se esse ônibus passa na Rua Votuporanga e me contentar com a resposta negativa dele. E não sair do ônibus e não cometer nada e não esperar mais nada além de um ônibus errado. 



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 07:40:30
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EU TENHO VERGONHA DE ESTAR EM SÃO PAULO

 

Após 'Dia do Orgulho Hétero', vereador de SP quer banheiro gay

Projeto foi apresentado ontem na Câmara paulistana por Carlos Apolinário (DEM)

EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO
NATÁLIA CANCIAN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

No ano passado, o vereador Carlos Apolinário (DEM) quase conseguiu que virasse lei o seu projeto de criar em São Paulo o Dia do Orgulho Heterossexual. Agora, ele teve outra ideia: criar um banheiro "unissex" em locais públicos para gays, lésbicas, travestis e quem mais quiser.

O terceiro banheiro passaria a ser uma exigência da prefeitura para autorizar a construção ou reforma de shoppings, supermercados, restaurantes, cinemas e casas noturnas em geral.

A ideia, diz o vereador, surgiu ao saber da polêmica na qual o cartunista Laerte Coutinho, 60, que é bissexual e se veste de mulher há três anos, envolveu-se ao tentar usar o banheiro feminino de uma pizzaria e lanchonete.

Para o vereador, esse uso é inaceitável. "Se qualquer cidadão do sexo masculino disser que está se sentindo mulher naquele dia, pode entrar no banheiro feminino. Às vezes, pode ser até um cidadão sem vergonha, mau caráter, que nem tem essa opção sexual."

Com o terceiro banheiro, afirma, tudo se resolve, porque vai quem quer -menos crianças desacompanhadas.

"Tem cruzeiro que é feito para gays. Se eu for lá com a minha mulher, eu não posso reclamar, porque eu sabia que era para gays", afirmou.

Informado pela Folha sobre o caso, Laerte fez críticas ao projeto e disse que um terceiro banheiro seria uma "consagração do gueto".

Para o cartunista, a proposta teria a função de segregar as pessoas. "É uma solução que não é uma solução, porque discrimina de uma vez por todas. Como se os outros fossem normais e uma outra parte não."

O projeto de Apolinário ainda precisa tramitar pelas comissões da Câmara antes de ir a votação em plenário.



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 12:52:33
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TENHO DUAS DÚZIAS DE ESPERANÇA

na bolsa, que vou usando conforme a necessidade. 



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 22:22:02
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EU MUDAVA DE CASA

quando tudo aconteceu. Eu senti o gosto do uísque tocar minha língua e meio segundo foi suficiente para que eu me lembrasse de tudo. O mundo girava, indiferente, quando eu caí e você passou, fazendo coro com o mundo. Até a lua, que vive cheia de pedidos, resolveu ter dó de mim e se cobriu com a primeira nuvem que passou. Não, ela não iria testemunhar a meu favor, mas também não queria depor contra. Ficou ali, encoberta. E eu faria o mesmo se fosse ela. Mas eu não era e as nuvens cagavam e andavam para mim. O que não me importava. Eu só tinha olhos para o trabalho voluntário: eu roubava milhos jogados aos pombos. Numa tentativa de acabar com os pombos, acabar comigo e acabar com aquela história. De uma vez por todas. 



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 22:12:40
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TEM ESSE TAMBÉM

http://questionablecontent.net/view.php?comic=618#



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 19:43:44
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TRÊS

http://www.asofterworld.com/index.php?id=759

 

DOIS

http://www.boltcity.com/copper/copper_039_marketplace.htm

 

UM

http://pbfcomics.com/133/



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 08:21:48
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ENTÃO EU DISSE 

Eu posso explicar tudo.

Só não posso explicar isso:

http://www.youtube.com/watch?v=WzibSiJv8hc



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 00:05:08
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CIGARRO SOLTO

eu gosto do centro e dane-se > gosto, nunca vou dizer nada em contrário, gosto até do que não se deve gostar, porque vou me acostumando > "olha, eu vou pra casa, mas é pra um outro endereço, eu mudei" > tive vontade de dizer, mas não falava aquela língua estranha, fiquei na minha e comecei a brincar com o cachorro > esse sim, um gentleman, me olhou bem nas pernas e me lambeu (escrevi "lembeu" por engano, corrigi, é claro, mas fiquei a fim de contar) > fiquei um tempo tomando uma chuvinha ali e pensando: "ó, tenho sobre o que escrever" > tenho nada > tenho mais é que ficar na minha > bem quieta > em um exercício de superação nunca antes imaginado > gostei. 



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 16:50:44
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FAZ ALGUM SENTIDO

aquela noite de sábado? aquele jeito de deitar devagar sem saber direito onde botar o olhar e rangendo os dentes como quem vai morrer? > faz algum sentido aqueles imensos olhos pretos transformando tudo em noite e me deixando sem ar, sem eira, sem um bote, sem um jeito de sair dali? > não, não faz nenhum sentido > mas lá naquela noite de sábado estava minha cabeça sem produtos caros, sem drogas baratas e sem nóias da moda, só pensando num jeito de reproduzir aquele prato que eu havia comido na casa de chá > sabe, ele era muito bom e enquanto eu comia eu pensava em mostrá-lo a você > só porque tudo que eu vejo e como e pego e acho legal eu quero mostrar pra você > às vezes eu tenho vontade de colocar você em frente ao espelho e te dizer: "Tá vendo esse cara? Então é esse o cara."



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 01:59:34
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FAZ ALGUM SENTIDO

aquela noite de sábado? aquele jeito de deitar devagar sem saber direito onde botar o olhar e rangendo os dentes como quem vai morrer? > faz algum sentido aqueles imensos olhos pretos transformando tudo em noite e me deixando sem ar, sem eira, sem um bote, sem um jeito de sair dali? > não, não faz nenhum sentido, mas minha cabeça sem produtos caros, sem drogas baratas e sem nóias da moda, só pensando num jeito de reproduzir aquele prato que eu havia comido na casa de chá > sabe, ele era muito bom e enquanto eu comia eu pedia a Deus que me desse a oportunidade de mostrá-lo a você > só porque tudo que eu vejo e como e pego e acho legal eu quero mostrar pra você > às vezes eu tenho vontade de colocar você em frente ao espelho e te dizer: "Tá vendo esse cara? Então é esse o cara."



Escrito por fernandadumbra@uol.com.br às 01:51:31
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